
Acordamos as 6 da manhã e fomos buscar os equipamentos necessários para subir o vulcão. Encontramos com o guia e mais duas pessoas, um cara que mora na suiça e outro que mora entre a suiça e a frança. Depois de vestir todas as roupas e colocar todos os equipamentos na mochila (crampones, mascaras de gas, piolets, "bundiski", botas e poilanas...além de água e comida) fomos para o vulcão e no caminho conhecemos mais dois brasileiros...............
Chegando na base e começamos a subir. O começo do caminho é um pouco mais tranquilo, mas aos poucos isso vai mudando e ficando cada vez mais íngrime, assim um pouco antes da primeira parada tivemos que colocar os crampones (que são como pregos bem grandes que encaixamos nas botas para que fique mais facil andar na neve sem escorregar). Após colocá-los a caminhada fica bem mais segura.
Quando chegamos a primeira parada, o guia começou a falar que dali para frente a caminhada iria ficar mais pesada e mais inclinada. A primeira parada é feita na casa do teleférico e algumas pessoas pararam por ali.
A segunda parte do caminho foi realmente um pouco mais pesada. A segunda parada foi feita no antigo teleférico que havia sido construio nos anos 60 e foi destruído pela erupção. Ali, o guia voltou a falar que o caminho iria ficar mais difícil.
Voltamos a subir e o caminho estava realmente bem mais difícil. Ao chegar na terceira parada já estavamos cançados e o guia, novamente falou que iria piorar e que dessa vez, para continuar seria necessário ter forças para voltar. Nesse ponto muitas pessoas pararam.
O caminho realmente piorou muito e o vento começou a ficar bem forte e naquele ponto a neve já estava sendo levada pelo vento. Em alguns pontos da caminhada a visibilidade não era muito boa. A dor na minha batata da perna estava forte e o frio na mão também (eu estava sem luvas) e essa dor me fazia pensar em desistir as vezes e quando isso acontecida eu parava para comer chocolate e tomar água. Eu tentava não olhar para cima para não desanimar e foi assim até o topo.

Quando cheguei ao topo do vulcão o vento estava muito mais forte e as minhas mãos estavam me matando. Coloquei a mochila no chão, tirei os crampones e tirei a minha balaclava para segura-la e tentar aquecer as mãos. Cheguei perto da cratera e olhei para baixo. O buraco é gigante e a parede dele tem uma cor linda. Uma fumaça constante sai desta cratera. Fiquei um bom tempo olhando, relaxando e tremendo de frio. Do nada lembrei que estava com sede e fui buscar minha água na mochila. Deixei uma garrafa de 1.5L no meio da mochila junto com todos os equipamentos e mais dois casacos e quando peguei a água a encontrei começando a congelar. Existia uma camada de gelo em toda a garrafa e tive que ficar apertando a garrafa para conseguir tomar a água.

Quando decidimos descer vestimos uma calça mais grossa que "funciona como um ski" e em alguns pontos podiamos escorregar vulcão abaixo :D e usavamos os piolets para freiar. Estava bem divertido descer assim mas chegamos em um ponto onde existia pouca neve e muito gelo e tivemos que vestir os crampones novamente e dali para frente voltamos a caminhar. Meu pé já estava me matando novamente mas o ar já estava um pouco mais quente e minha mão já estava um pouco melhor.
Quando cheguei a base fiquei tão feliz...acho que estava em outro mundo. As pessoas falavam comigo mas eu não respondia direito, não dava atenção...só pensava em comer, em tomar água e na dor no meu pé.
Quando chegamos na cidade novamente fomos direto para o lugar onde alugamos os equipamentos e lá tirei a bota e verifiquei que a minha meia estava molhada (não sei a quanto tempo) e quando tirei vi o estado do dedão do meu pé: a unha estava PRETA, dos dois.
Voltamos para o albergue com muita dor e de lá pegamos o onibus para Santiago. Antes disso descobrimos que a nossa amiga (Radka) havia chegado em Santiago e que havia sido roubada. Aquela notícia acabou com a minha tranquilidade que tinha em relação a Santiago.

Bom, apesar de toda a dor e de toda essa tortura, chegar até a cratera do vulcão valeu tudo. É tão bom conseguir tirar tudo da sua cabeça e se concentrar só em chegar em um ponto. Por alguns momentos você consegue escutar o vento, escutar a sua respiração, escutar os seus pensamentos e seus desejos...por um momento deixa de acreditar e em outro volta a acreditar. Quando você chega ao topo percebe que foi ótimo ter ignorado "toda aquela dor". Quando você chega ao topo, percebe que essa dor é tão pequena diante de toda aquela visão, diante de todo aquele vento, daquele mundo e da sua superação.
O guia comentou comigo que muitos brasileiros tentam chegar até a cratera e que são poucos os que conseguem e que aqueles que conseguem são do Rio e Salvador. Comentou que estava surpreso ao ver um paulista ali e que estes raramente conseguem chegar até la... (como assim?).
Se você gosta desse tipo de viagem e quer ir até Pucon...ajude a melhorar essa situação...a caminhada para mim (que não tenho um preparo físico muito bom) foi bem complicada mas não é impossível...não desista e chegue até o topo :D...mas caso não chegue, não desanime...chegar em qualquer ponto já é um ótimo resultado...ver tudo aquilo, estar tão próximo de algo tão grandioso é algo que fica dentro de você e é impossível colocar em palavras ou escrever em um blog ou qualquer texto.
Dicas para quem quer subir o Vulcão Villarrica
- Espere na cidade até encontrar um dia com o céu limpo
- É mais seguro usar uma meia impermeável
- Verifique se todo o equipamento se encontra na sua mochila e não misture-os com os dos seus amigos ou namorada(0) (caso se separem, alguem ficará na mão!).
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*Data: 21/06/08 - 23:20
*Local: Pucon/Chile
*Km rodados (avião): ~4053 km
*Km rodados (onibus): ~4502 km
*Km rodados (carro): ~880 km*Tempo: Frio (~ 0C)
*Trilha sonora desse post: Sem Musica
*Post por: Thiago